Aos 69 anos, a professora de Educação Física aposentada Silvia Helena Piantino Silveira está de volta às competições esportivas após enfrentar uma diverticulite grave, passar por sucessivas cirurgias e precisar usar uma bolsa de colostomia durante três meses. Moradora de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ela participa do Master Games Brasil Rio 2026, disputado até domingo (18), com inscrições em três provas de atletismo e no beach tennis.
A recuperação começou no ano passado, depois que a doença exigiu intervenções cirúrgicas e interrompeu sua rotina. O retorno às atividades físicas foi gradual, até que Silvia conseguiu retomar os treinamentos e planejar a participação em uma nova competição. No atletismo, ela disputará o arremesso de peso, o lançamento de disco e o lançamento de martelo.
A relação com o esporte começou aos 11 anos, quando passou a jogar vôlei. Anos depois, formou-se em Educação Física e seguiu carreira na rede pública de ensino, onde também trabalhou com crianças cegas. A experiência a aproximou do goalball, modalidade destinada a pessoas com deficiência visual, na qual atua atualmente como árbitra.
Para a disputa do beach tennis, Silvia encontrou uma parceira de maneira inesperada. Em agosto, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, procurava alguém para jogar na Praia de Ipanema quando conheceu Tereza Cristina Palhares Dias, de 71 anos, moradora de Belo Horizonte.
As duas disputaram duas partidas juntas e decidiram repetir a experiência em uma competição. Silvia convidou Tereza para formar dupla no Master Games, e a mineira aceitou. Agora, elas retornam ao Rio para jogar o torneio, apenas dois meses depois do primeiro encontro.
Organizado pelo Comitê Brasileiro do Esporte Master (CBEM), o Master Games Brasil Rio 2026 reúne atletas a partir dos 30 anos em 19 modalidades, com competições no Rio de Janeiro e em Niterói. As disputas são divididas por faixas etárias, e a entrada é gratuita para o público.
Para o presidente do CBEM, Edson Campello, a participação de atletas que retomaram as atividades após problemas de saúde é uma das características da competição.
“Uma competição como essa reúne pessoas que chegam às arenas por caminhos muito diferentes. Algumas nunca pararam de competir; outras estão retomando depois de uma fase difícil. Ter espaço para essas trajetórias é essencial para que o esporte continue fazendo parte da vida de cada uma delas”, afirmou.