As artes marciais passaram por uma transformação no Brasil nas últimas décadas. O que antes era um segmento com pouca estrutura, escassez de equipamentos e baixo reconhecimento social deu lugar a um mercado que reúne atletas, academias, fabricantes, eventos e praticantes de diferentes perfis. Poucos acompanharam esse processo tão de perto quanto Ricardo Santana.

A relação de Ricardo com as lutas começou ainda na infância, quando foi matriculado no Judô enquanto aguardava a irmã sair da escola. Aos 13 anos, já graduado na modalidade, decidiu seguir no esporte.

“O que era apenas uma forma de ocupar meu tempo acabou se transformando em uma paixão que me acompanha até hoje. Aos 13 anos eu já era graduado e a luta tinha deixado de ser apenas uma atividade física. Ela já fazia parte da minha identidade”, lembra.

Como atleta e professor, ele vivenciou um período em que o mercado de esportes de combate ainda era pouco desenvolvido. Equipamentos especializados eram escassos, havia poucos patrocinadores e o preconceito contra os praticantes era frequente.

“Meu próprio pai não queria que eu lutasse. A imagem que muitas pessoas tinham era de que aquilo era coisa de brigador e não um esporte capaz de ensinar disciplina, respeito e valores”, afirma.

Foi a partir dessa realidade que surgiu a oportunidade de empreender. Em contato diário com atletas, treinadores e academias, Ricardo identificou a falta de produtos específicos para a prática das modalidades.

“Naquela época praticamente não existia um mercado estruturado para os esportes de combate no Brasil. Faltavam produtos, distribuidores, eventos, mídia especializada e empresas que acreditassem no potencial daquele segmento”, diz.

Em 2005, fundou a MMAShop, apontada por ele como a primeira loja especializada em esportes de combate do país. Depois, passou a importar marcas internacionais e participou de projetos ligados ao desenvolvimento do setor.

“O mais interessante é que eu nunca enxerguei aquilo apenas como uma oportunidade comercial. Eu era atleta, professor e consumidor daqueles produtos. Conhecia as dores do mercado porque também vivia aquelas dificuldades”, afirma.

Ao longo da carreira, Ricardo também atuou como treinador, organizador de eventos, editor de mídia especializada, fabricante e empresário.

“Eu não acompanhei a evolução do setor de fora. Eu participei dela em praticamente todas as etapas”, resume.