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Documentário sobre Maguila revela impactos da ETC em lutadores

O documentário “Maguila — Prefiro Ficar Louco a Morrer de Fome”, dirigido por Rafael Pirrho, retrata a vida de um dos maiores lutadores de Boxe do Brasil, em quatro episódios. E mostra que a trajetória de José Adilson Rodrigues dos Santos, marcada pela luta para sobreviver, é parecida com a de muitos atletas brasileiros, sejam ligados a luta ou não. A minissérie levanta um debate importante sobre os cuidados com a saúde, especialmente para os lutadores.

Repetidos traumas na cabeça causam encefalopatia traumática crônica (ETC), uma doença neurodegenerativa progressiva, que causa demência e tem incidência alta em atletas de esporte de contato. As pancadas na cabeça chacoalham as estruturas cerebrais danificando as células nervosas e causam acúmulo de uma proteína chamada tau, que se aloja nas células do cérebro, impede o seu funcionamento e as levam à morte.

O prolongamento da carreira é um fator determinante para o agravamento da ETC e acarreta consequências mais graves. Além de não encontrar o timming para pendurar as luvas, Maguila fez lutas fora de forma, chegou a pesar 114 quilos, e sofreu ainda mais golpes na cabeça, em confrontos e treinos. O lutador faleceu com apenas 66 anos, em 2024. CEO da Outboxing, empresa que se dedica ao resgate das raízes do Boxe, Patricia Rovarotto joga luz sobre a importância de cuidar da saúde, uma questão de toda a humanidade, mas que se torna ainda delicada para atletas de esporte de contato.

“O documentário mostra sabiamente como a teimosia do Maguila em não querer se aposentar causou o agravamento da sua doença e tirou a sua vida precocemente. É uma reflexão importante para quem luta nos dias de hoje e para quem constrói carreiras. A trajetória dele expõe uma visão de como a gestão de uma carreira afeta a saúde do atleta, o seu futuro, encurta a qualidade de vida e consequentemente a convivência com a família. É muito interessante olhar o documentário sobre esse aspecto”, alerta Patricia, com a experiência de quem já foi árbitra e atleta de Boxe profissional.

O casamento de Maguila com Irani é outro ponto explorado pela série e chamou bastante atenção da empresária. Por ser jovem e bonita no início do relacionamento, a ex-mulher do boxeador sofreu preconceito e muitos suspeitavam que ela estaria interessada na fama e no dinheiro dele. Muito autêntica em seus depoimentos, Irani se emociona diversas vezes e conta como esteve ao lado de seu marido até o fim, mesmo passando por várias situações difíceis, pois Maguila não aceitava a doença e, às vezes, demonstrava agressividade, outro sintoma comum da ETC.

“Foi muito bonito ver o lado dela da história. Me reconheci muito enquanto esposa de atleta. Eu gerenciei a carreira do meu marido, Wallace Moraes, o ‘Canhoto de Ouro’. Por ter sido atleta, entendi umas questões do Maguila que são difíceis de perceber se você não tiver esta experiência. E, mesmo não sendo atleta, a Irani teve umas percepções e soube conduzir a carreira dele. Entendeu a necessidade que ele tinha de estar no ringue”, afirma.

Não é exagero dizer que a condução de Irani no casamento salvou a vida de Maguila. O fato de fazer lutas totalmente sem condições, fora de forma e perder para pugilistas amadores se torna até pequeno diante de episódios protagonizados pelo ex-pugilista. Ele agrediu pessoas, se envolveu em atropelamentos e em outras ocorrências. Sem falar das traições. A defesa ferrenha do marido chegou a gerar comentários do tipo “Maguila é a bela e Irani é a fera”.

“Ela teve uma vida muito difícil por ser companheira do Maguila, que saiu do nada e se tornou uma celebridade. Ela segurou a onda muito bem. Esposas de atletas que estão no meio como empresárias, mães, sofrem de um estigma, de um preconceito de que a mulher estragou a carreira do lutador, que ela só está com ele por causa do dinheiro e da fama ou porque ele é lutador. O documentário comprova de forma clara que uma mulher sábia conduz a carreira do homem para o bem dele”, conclui Patricia.

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